Nota Pública em repúdio ao Sistema de Precarização dos Entregadores

As taxas de desemprego e instabilidade que atingem muitos, dentre eles jovens entre 18 a 29 anos, principalmente de periferias que tem buscado nos aplicativos de entregas uma alternativa pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho, como mostra a reportagem da BBC (citada nas fontes do final da nota).

Jovens, na sua grande maioria homens e da periferia são considerados estatisticamente aqueles com os maiores índices de vulnerabilidade no Brasil, tanto no trânsito quanto atualmente no mercado de trabalho. Além das estatísticas de mortes por arma de fogo, o trânsito também gera altos índices de mortalidade, muitas vezes acima das armas de fogo em alguns estados do Brasil, tais como: Tocantins, Piauí, São Paulo e Santa Catarina, e até como um quase empate em outros cinco estados, Rondônia, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em decorrência do abuso principalmente da velocidade, álcool e de uso de celular no trânsito. (Dados OMS). 

Nesse contexto, no último 06 de julho, o entregador da empresa Rappi, Thiago Dias de Jesus, de 33 anos, foi vítima de um AVC enquanto, realizava entregas na cidade de São Paulo, por falta de suporte e de um tratamento desumano do próprio aplicativo ao qual trabalhava, aliado a falta de socorro da SAMU, o entregador veio a falecer 48h após a ocorrência, agravado o caso diante da demora no seu deslocamento até chegar ao hospital. Segundo a OAB-SP, a morte de Thiago é “fruto do desmonte de políticas públicas somada, concomitantemente, à ampla fragilização das relações de trabalho no Brasil”.

O sistema de entregas dos aplicativos exige dos associados longas jornadas de trabalho (varia entre 12h à 13h, nos finais de semana emenda-se com outros turnos de trabalhos paralelos), aliadas a uma baixa remuneração e ausência de qualquer suporte em relação
à saúde ou segurança, o que expõe ainda mais essa categoria de pessoas, que buscam uma oportunidade de entrar ou se reinserir no mercado de trabalho.

Em resposta ao ocorrido, o aplicativo Rappi divulgou a intenção de criar um botão de emergência para seus entregadores, o que é visto pela família do Thiago como uma medida tardia e irrelevante diante da morte do seu familiar, pois “o que ele deixou de fazer a Rappi pode substituir por outro, mas nós da família não temos esse poder de contratar um novo irmão”.

Nos solidarizamos ao caso, mesmo sendo Thiago Dias de Jesus um motociclista, mas antes de tudo, ele era uma pessoa que merecia melhores condições de trabalho para desenvolver suas atividades, uma pessoa com sonhos e desejos que desejava uma vida melhor para si e sua família. 

Importante, enquanto sociedade civil pontuarmos e manifestarmos a estas empresas que estamos atentos, indignados e cobraremos das mesmas, condições mais dignas de trabalho aos seus colaboradores, muitos dentre eles, pessoas que utilizam a bicicleta. Para estas pessoas a precarização do sistema de entregas consegue ser mais penosa, pois exige percursos mais exaustivos, de até 80 km diários realizados pelos ciclistas.

Por melhores condições de trabalho, nenhuma morte será esquecida!

#PorCondicoesDignasTrabalho
#NenhumaMorteSeraEsquecida

 

fontes: 

<https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48304340>

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/07/oab-classifica-morte-de-entregador-do-rappi-de-desmonte-das-relacoes-de-trabalho.shtml

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-12/transito-mata-mais-de-13-milhao-de-pessoas-todos-os-anos-diz-oms

https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/17/desemprego-entre-os-jovens-e-superior-ao-dobro-da-taxa-geral-aponta-ibge.ghtml

https://canaltech.com.br/apps/apos-morte-de-entregador-rappi-deve-implementar-botao-de-emergencia-no-app-143939/

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