A bicicleta e a economia

  • Artigo para a coluna “Unindo Ciclos” da UCB na Revista Bicicleta. Ver demais artigos aqui.
  • Edição: Nº 71 – Mar/2017
  • Autores: Maysa Blay – Militante pela causa da bicicleta no Rio de Janeiro, co-tradutora de Bikenomics, membro e incentivadora da MobiRio – Associação Carioca pela Mobilidade Ativa e associada da UCB.

Quando pensamos nas questões econômicas relativas ao uso da bicicleta como meio de transporte, a primeira coisa que vem à mente é a economia com a substituição do transporte motorizado. Nas cidades brasileiras, o transporte público coletivo é, via de regra, privatizado, as passagens são onerosas e a integração modal é insatisfatória. Em São Paulo, uma viagem de trem urbano seguida por outra em ônibus, com Bilhete Único, sai por R$6,00… vezes dois, vezes 20, e tem-se um total nada desprezível de R$ 240,00 mensais apenas para ir e voltar entre dois pontos. Para aqueles que têm a oportunidade e a vontade de substituir o icônico carro pela simplicidade de uma bicicleta, a economia absoluta é maior: combustível, manutenção, reparos, IPVA, seguro, e estacionamento…  por baixo.

O segundo fator de que mais lembramos na dupla dinâmica bicicleta-economia é saúde. Pedalar é a um só tempo transporte e exercício, bom para quem o faz, bom para o entorno. Bicicletas não emitem poluentes locais e nem CO2, um dos gases causadores do efeito estufa. Além disso, elas contribuem o acalmamento do trânsito e, assim, transformam bairros e cidades, melhoram o conforto e a segurança de quem caminha, ou se desloca numa cadeira de rodas, revigoram o comércio e os restaurantes de rua, dão vida às ruas e animam as relações entre pessoas nos espaços públicos.  Bicicletas já tem lugar cativo nos projetos de cidades para pessoas.

E há outros fatores na dobradinha bicicleta-economia. Os baixos custos de se construir infraestrutura cicloviária, o desgaste ínfimo provocado por bicicletas nas vias em que circulam, e a contribuição “generosa” de ciclistas (e pedestres, pessoas com deficiência, skatistas e patinadores), via impostos diversos (ISS, ICMS, e outros), para engrossar o bolo orçamentário bilionário que custeia a construção e a manutenção de vias para os automotores. Até quando, em países como o Brasil, seremos, nós que nos movemos por mobilidade ativa, esquecidos pelos poder público?

Temos certamente que lutar, e a luta é grande ainda, para mostrar ao Brasil a economia polivalente que a bicicleta pode proporcionar. Mas, se necessitarmos de uma inspiração, um bom exemplo pode ser o de Copenhagen, onde a construção e a  manutenção de cicloestrutura está a cargo da mesma instituição que gerencia os hospitais. É que por lá, há a certeza fria e salutar de que a infraestrutura para bicicletas é, ao contrário de uma despesa, um investimento. Por meio dele, com a construção de ciclovias urbanas e das chamadas “Superestradas ciclísticas”, Copenhagen prevê uma economia de US$ 60 milhões anuais em gastos com saúde.

 

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