Bicicleta e Educação: um brinquedo sério

Reunindo pessoas dos vários cantos das Américas com o lema “ RECUPERANDO A CIDADE”, tendo como elemento de pauta, a Bicicleta, aconteceu a 7 ed. do Fórum Mundial Da Bicicleta. A cidade Lima foi eleita para acolher este povo bicicleteiro.

Dentre os temas das mesas, segundo levantamento realizado por André Soares (UCB), a educação foi o mais abordado: total de 17, seguido por políticas públicas (11), ativismo (7), cicloturismo, (5) comunicação (4), meio ambiente, empreendimentos, meio ambiente e saúde (3); economia, empreendimentos gênero inovação, intervenções e mobilidade urbana (2), história, legislação e planos de mobilidade (1).

A estadia em Lima começou com uma roda de conversa, pensada pela comissão do Fórum, na Municipalidad de Lima, com o intuito de compartilhamento de ações das “BiciEscuelas”, assim denominados os projetos voltados para a educação das crianças. Participaram desta roda Peru, Panamá, Chile, México e Brasil.

Neste compartilhar de ações o Chile, através do EduCleta, projeto de uma organização não governamental, expôs algumas ações educativas, com crianças, sobre legislação e atividades que envolvam o andar de bicicleta no trânsito assessoradas por adultos. Já o Panamá apresentou uma intervenção onde a bicicleta foi utilizada como elemento apaziguador das periferias, reconquistando os espaços brincantes, perdidos pela violência urbana. O México mostrou algumas atividades educativas com estudantes na região litorânea mexicana com o viés do cicloturismo.

A apresentação de Lima voltou-se para os investimentos em manutenção e construção de ciclovias – total de 185 km, tendo como meta de 230 km – e, nas ações educativas e recreativas, através do programa CICLOLIMA, que tem como objetivo incentivar o uso de transporte ativo, priorizando pedestres e ciclistas.

Dentre as ações educativas, destaque para o “Al Cole en Bici”, onde os estudantes são estimulados a utilizar a bicicleta como meio de transporte escolar, com ações pontuais, e o “Escuela de Ciclismo Urbano, com o objetivo de educação para o trânsito. Através do exposto, ficam os questionamentos:

Por que tanto falam em educação pela bicicleta e que tipo de educação é esta? Educar para o trânsito, educar através de legislação, ensinar a andar de bicicleta, riscos e prazeres. Por que se fala em tantos ensinamentos? Serão eles significativos? Seria somente uma intervenção lúdica ou teria algo mais além do que o simples se equilibrar em duas rodas, livrando-se das rodinhas auxiliares?

Acredito que para a criança, sim, é um simples se livrar de rodinhas e se sentir capaz de experimentar outro movimento que não seja o caminhar, correr, saltar…, ampliando seu repertório corporal. Quando se aprende algo brincando, este aprendizado se torna mais significativo, portanto, há de se aproveitar este momento para poder construir no outro um olhar mais crítico do que está posto enquanto direito de ir e vir.

Outro questionamento: “por que estas ações são tão pontuais e ainda não permeiam o cotidiano escolar através do seu Projeto Político Pedagógico?

Nós, do Bicicleta na Escola, acreditamos que é na escola que tudo começa. Que não basta só ensinar a pedalar, é preciso ampliar o olhar para além do seu entorno e contribuir na construção deste olhar crítico das gerações futuras, num pensar sustentável, formando a tão mencionada “MASSINHA CRÍTICA” – e nada melhor do que começar pelo seu brinquedo, a BICICLETA .

 

Autora: Ana Destri – Licenciada em educação física pela UDESC; professora da rede pública municipal de Florianópolis; Diretora Administrativa da AmoBici; associada a UCB e idealizadora do BICICLETA NA ESCOLA (2013). Atualmente coordena o projeto Bicicleta na Escola Floripa, na rede municipal de educação de Florianópolis.

CLIQUE AQUI para baixar o texto da apresentação “Bicicleta na Escola: para além do resgate cultural” realizada pela autora no FMB7.

Este texto foi composto para o Edital 01/2018 “Você no FM7” promovido pela UCB – União de Ciclistas do Brasil e financiado pelo Itaú como resultado da participação do/a autor/a no 7º Fórum Mundial da Bicicleta (Lima/Peru – 22-26/02/2017).

 

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