FMB 7 – para além do debate

Estive presente no FMB-7, no Peru, para, além de aprender com outras experiências, apresentar um pouco do trabalho da sociedade civil, especialmente pela BH em Ciclo, realizado em Belo Horizonte, através do PlanBici.

O PlanBici é o fruto de um processo iniciado no fim do ano de 2016, com a incidência nas eleições municipais, e que continuou na gestão do prefeito eleito. O Planbici é o Plano de Ações pela Mobilidade por Bicicletas em BH, e dialoga com as demandas das campanhas Bicicleta nas Eleições e também #D1Passo, com o Programa de Governo do – então – candidato, com o Plano de Mobilidade de Belo Horizonte e também com a Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Contei um pouco do processo de elaboração deste plano, que foi um trabalho conjunto com o poder público, e sobre a dificuldade de implementá-lo. Os desafios com relação à destinação de recursos e priorização da bicicleta dentro dos orçamentos e políticas públicas é uma realidade comum de diversas cidades da América Latina.

Foi a minha quarta experiência em Fóruns Mundiais, e um dos destaques positivos no meu ponto de vista foram algumas apresentações que levantaram a discussão de gênero. A pesquisa “Bicicleta e Gênero: Análise dos Fóruns Mundiais da Bicicleta”, o projeto “Ella se Mueve Segura” e a apresentação “El Acoso Callejero en Perú” chamaram a atenção por mostrarem análises e pesquisas sobre o tema.

Além disso, foi apresentado um manifesto, chamado “Mujeres, territorios y movilidad sostenible”, elaborado pela comissão organizadora desta edição do Fórum, com alguns princípios a serem levados para a Assembleia, com a proposta de serem incorporados como princípios do Fórum.  Um destes princípios, o número 5, diz que “Nos comprometemos a que dentro del FMB y en nuestros colectivos se generen espacios de trabajo libres y seguros, así como acciones con enfoque de género.”.

Infelizmente, nem os debates e apresentações que aconteceram no Fórum, nem a elaboração e leitura do Manifesto impediram que ocorresse violência de gênero dentro do espaço que deveria ser seguro para mulheres. A denúncia foi feita após uma das palestras de destaque, e mais uma vez o Manifesto foi lido pelas mulheres da comissão organizadora.

Durante a Assembleia, que ocorreu de maneira conturbada (sem estar na programação, sem pauta pré-estabelecida e sem relatoria), a questão levantada pela própria comissão organizadora, de discutir sobre os princípios do Manifesto, foi ignorada. Esta edição mostrou que apesar dos avanços na discussão da pauta, deixou a desejar a materialização de ações/ na consideração dentro do espaço de decisão, como a Assembleia.

A apresentação para o próximo Fórum, a ser realizado em Quito, no Equador, foi inspiradora, desde a sua concepção, baseada na minga – trabalho coletivo realizado no interesse coletivo, característica dos povos andinos, como também na paridade de gênero desde a organização. Que continuemos a discussão, e que ela evolua, junto com o evento!

 

Autora: Amanda Corradi – integrante da BH em Ciclo

 

Este texto foi composto para o Edital 01/2018 “Você no FM7” promovido pela UCB – União de Ciclistas do Brasil e financiado pelo Itaú como resultado da participação do/a autor/a no 7º Fórum Mundial da Bicicleta (Lima/Peru – 22-26/02/2017).

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *