O Brasil e a UCB no 6º Fórum Mundial da Bicicleta

  • Artigo para a coluna “Unindo Ciclos” da UCB na Revista Bicicleta. Ver demais artigos aqui.
  • Edição: Nº 72 – Abr/2017
  • Autores: Erica Telles e Guilherme Tampieri – Associados da UCB

Entre os dias 19 a 23 de abril, aconteceu, na Cidade do México, a sexta edição do Fórum Mundial da Bicicleta, também conhecido como FMB6. O evento nasceu em Porto Alegre/RS, em 2012, como uma forma debater, refletir e agir em favor da inserção da bicicleta no espaço urbano, depois que um motorista cometeu um atropelamento coletivo, ferindo diversos ciclistas integrantes da Massa Crítica de Porto Alegre.

Em 2013, o Fórum também foi na capital gaúcha. Em 2014, em sua 3ª edição, o FMB começou a ganhar espaço e foi realizado em Curitiba. A 4ª edição foi realizada em Medellín, na Colômbia, e a 5ª em Santiago, no Chile. Em sua sexta edição, o Fórum rompeu, pela primeira vez, as fronteiras sulamericanas, simbolizando a crescente representatividade internacional deste encontro.

O tema escolhido pela organização do FMB6 foi “Ciudades hechas a Mano”, ou “Cidades feitas à mão”, como uma forma de mostrar que as cidades que nós imaginamos são feitas com a mesma paixão e dedicação do que é feito à mão. São cidades mais bem planejadas, construídas, que são pensadas e (re)criadas com cuidado e amor por seus habitantes e por quem nelas passam.

Na edição 2017, tivemos inscritos da América do Sul e do Norte e Europa. Ao todo, foram mais de 140 projetos compondo a programação do evento, de maneira heterogênea, tanto em temáticas, quanto em seus formatos e de quem os apresentará.

O Brasil compos o quadro de programas com aproximadamente 15% dos trabalhos, tendo tido todas as regiões do país contempladas em uma enorme diversidade: políticas públicas, segurança cicloviária, educação, sistema de compartilhamento de bicicletas na periferia, pesquisas, levantamentos e análises de dados sobre estruturas cicloviárias e hábitos, gênero, combate às diversas formas de discriminação e promoção de diversidades sócio-étnico-raciais, empreendedorismo, intervenções urbanas, redes colaborativas, dentre outros tantos. Boa parte dos trabalhos aprovados foram de associadas e associados da UCB, como é o caso do projeto Bota pra Rodar, desenvolvido pela Ameciclo – Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife.

Esta multiplicidade dos discursos e práticas dos projetos brasileiros denotou alguns fatores importantes a serem reconhecidos em sua construção: a extensão geográfica do nosso país e suas dinâmicas específicas retratando as localidades e as respectivas demandas, pulverização das práticas, o intercâmbio de  experiências e a validação da participação feminina como proponente em diversos trabalhos (não só exclusivamente sobre o tema gênero) reforçando e reconhecendo o direito de fala das mesmas. Além disso, a multiplicidade destes fatores transmitiram de forma positiva, às cidadãs e cidadãos de outros países, parte do que tem sido feito pela sociedade civil brasileira no que tange à promoção do uso da bicicleta como modo de transporte e suas diversas e (quase) infinitas conexões.

No FMB6, as dezenas de associadas e associados da UCB compartilharam suas experiências e processos vividos em nosso país, na busca por fortalecer e encorajar outras iniciativas da sociedade civil que têm promovido o uso da bicicleta mundo afora e inspirar outras tantas que ainda estão por vir. Além disso, estivemos, todas nós, abertas para aprender muito com nossas companheiras e companheiros do resto do mundo, e em especial da América Latina, sobre o que se tem sido feito em diversas cidades, estados e países para que a bicicleta ganhe cada vez mais espaço em nossas sociedades.

 

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