Artigo da UCB na Revista Bicicleta – abril/2016 – Bicicultura São Paulo 2016 – Que elo te move?

Autoras:

Cyra Malta Olegário da Costa e Melina Rombach, da Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

Pero políticamente y filosóficamente tenemos para conectar la actividad de andar en bicicleta con la actividad de reinventar la vida. (Chris Carlsson)

O Bicicultura, encontro nacional de ciclistas, é espaço de reflexão sobre a bicicleta e suas diversas expressões – em especial sobre políticas públicas de mobilidade. O momento é também ocasião especial para festejar, celebrar e compartilhar os avanços conquistados até o momento, bem como para avaliar os passos para mais conquistas da cultura da bicicleta de forma horizontal, colaborativa e inclusiva.

Os desafios colocados na atualidade frente às mudanças climáticas e necessidades de superação de um modo de vida pautado no consumismo extremo são muitos. As cidades se construíram dentro de uma lógica que, aos poucos, foi deteriorando a qualidade de vida das pessoas. A mobilidade é apenas um destes elementos que denuncia a desigualdade de acesso à cidade pelos indivíduos em toda sua diversidade.

A bicicleta foi um símbolo para as mulheres no início do século XX na busca de acesso à vida pública, nas conquista de espaço e de direitos como cidadãs plenas. Hoje, vemos a bicicleta mais uma vez no centro da conquista de uma cidade democrática, inclusiva e com qualidade ambiental.

Há uma infinidades de ações locais em torno do cicloativismo buscando uma outra forma de ser em sociedade. Não se trata apenas do direito de ir e vir com segurança por quem pedala, mas do acesso democrático à cidade. O direito a ocupar os espaços públicos segregados por força da mentalidade de planejamento que privilegia uns em detrimento de outros levando à gentrificação e periferias apartadas.

Não é novidade que a bicicleta é hoje uma tendência de transporte eficiente e sustentável em diversas cidades, principalmente nas de grande porte, que mais sofrem com a dependência e o excesso de carros nas ruas e com todas as consequências desse modelo de mobilidade baseado em combustíveis fósseis, geradores de poluição e causa da morte de mais quarenta mil pessoas por ano por atropelamentos e colisões no Brasil. Trocar o carro, a moto, ou o transporte público pela bicicleta, para se deslocar, é uma mudança de hábito, um ato potencialmente transformador do ponto de vista individual e social, gerador de autonomia, saúde e liberdade.

A Política  Nacional de Mobilidade Urbana e o Estatuto da Cidade são instrumentos que colaboram na reflexão dos paradigmas vigentes quanto à mobilidade. Mas muitas cidades estão vivenciando esse momento de questionamento de paradigma para além da mobilidade urbana, refletindo sobre a forma como organizamos a vida, individual ou coletivamente, reproduzindo e gerando desigualdade sociais, econômicas, culturais – negando direitos para a grande maioria da sociedade.

O Bicicultura localiza-se na senda destes questionamentos e retoma o espírito da Massa Crítica ao propor uma “coincidência organizada com criatividade rebelde”: pois se andar de bicicleta na cidade hoje já é símbolo de sustentabilidade, acreditamos que essa atitude de mudança na forma de nos deslocarmos abre um universo de possibilidade de novas práticas (culturais, humanas e rebeldes), a partir de novas relações que vão tomando corpo(s) e sendo gestadas a partir e com bicicleta. É esse universo – nascido da lógica da energia humana, da colaboração, da igualdade e dos direitos – que queremos produzir e catalisar no espaço-tempo do Bicicultura. #VemJunto

A edição de 2016 acontece em São Paulo entre os dias 26 e 29 de maio. Organizado pela sociedade civil, é realizado pela UCB – União de Ciclistas do Brasil (UCB), com organização de entidades locais – em 2016 ocorre com a liderança da Ciclocidade.  No entanto, ele permanece sendo um espaço coletivo e de caráter nacional. A ideia é de engendrar, gestar e compartilhar a cultura da bicicleta em todas as suas vertentes: cultural, social, política, artística, econômica e ambiental. O evento abre espaço para o convívio, o compartilhamento de conhecimento e a formação de alianças entre ciclistas, cicloativistas, gestoras e gestores públicos, artistas, entusiastas e interessados(as) na democratização urbana, na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida que a bicicleta proporciona.

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