Nota Pública contrária à campanha “Bicicleta Segura” da SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Nota PúblicaA SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia lançou, no final do ano de 2015, campanha com o título “Bicicleta Segura”. Além da referida página, também foi produzido um folheto impresso, para distribuição dirigida.

A UCB – União de Ciclistas do Brasil solicitou por ofício, à SBOT, em 22 de novembro (Ofício disponível em ), maiores informações sobre a campanha e recebeu, como resposta, apenas a informação de que a diretoria da entidade discutiria o assunto no dia 18 de dezembro.

A UCB reconhece que a ação da SBOT tem o mérito de tematizar o ciclismo, o que demonstra o reconhecimento público da importância da modalidade, e de colocar foco na segurança do ciclista, que é o principal fator de repressão ao uso da bicicleta no Brasil.

Entretanto, a UCB manifesta, por meio, desta, contrariedade ao conteúdo da campanha, devido aos seguintes motivos:

  • A campanha apresenta uma abordagem unilateral da problemática da mobilidade urbana, já que diversas manifestações no texto atribuem a responsabilidade pela segurança do ciclista exclusivamente a ele próprio;
  • Apesar da campanha apresentar, como fator de risco para os ciclistas, o trânsito perigoso, não se encontra em nenhum momento a indicação de que os motoristas devem respeitar a prioridade dos mais vulneráveis, nem de que o poder público deve desenvolver políticas públicas para diminuir a violência praticada contra ciclistas e pedestres, conforme preconiza a legislação brasileira;
  • A responsabilidade atribuída exclusivamente ao ciclista fica evidente pela recomendação de que os ciclistas devem vestir cotoveleiras, joelheiras e capacete, recomendação que confunde o ato de se locomover de bicicleta com o de praticar esportes radicais;
  • A campanha, assumindo esta abordagem, contribui para o fornecimento de justificativas aos motoristas que cometem infrações contra os ciclistas e reforça a noção, errônea, de que as vias públicas são território preferencial dos veículos automotores, cabendo ao ciclistas adaptarem-se a esta condição;
  • A campanha desestimula o uso da bicicleta como meio de transporte ao recomendar vestimentas que tornam a modalidade complexa e onerosa, ou seja, atentando contra duas das suas maiores vantagens: a praticidade e a economia.

A União de Ciclistas do Brasil continua à disposição para dialogar com a SBOT visando o desenvolvimento de recomendações compatíveis com a realidade do trânsito brasileiro e no intuito de promover a segurança e o respeito aos mais vulneráveis.

Em anexo, apresentamos os comentários da UCB nos materiais produzidos pela SBOT:

Esta Nota Pública foi redigida em discussão com os Associados da UCB.

13 de fevereiro de 2016.

UCB – União de Ciclistas do Brasil
www.uniaodeciclistas.org.br

 

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Uma ideia sobre “Nota Pública contrária à campanha “Bicicleta Segura” da SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

  1. Netto Dugon

    Parece que a SBOT perdeu a oportunidade de contribuir de fato com o debate da mobilidade urbana. E suponho que o maior equívoco foi tentar tematizar a bicicleta pela perspectiva que não é o domínio de expertise da dita entidade. Deveriam ter se concentrado em manter o expediente dessa agenda, pela lógica da área de conhecimento que mas lhes cabe, a saúde. E nesse sentido precisamos fortemente de contribuições para os quesitos de ergonimia que elucidem cada vez mais e melhor o uso cotidiano da bicicleta e que essas contribuições sejam cada vez mais popularizadas, em tempo, por exemplo, temos assuntos como a altura do selim, a angulação do manete, o guidão adequado para ada biotipo, enfim…

    Nossos amigos ortopedistas e traumatologistas deveriam se concentrar nas benesses e do bom uso da bicicleta para a saúde do aparelho locomotor humano e aí sim provavelmente seria uma contruibuição indelével para o debate da saúde do trânsito (e psicológica) de nossas cidades.

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