A experiência de Karine Góes no 6º Fórum Mundial da Bicicleta

Por meio de um edital, em parceria com o Itaú, a UCB conseguiu viabilizar a ida de seis* pessoas para o 6º Fórum Mundial da Bicicleta, que aconteceu na Cidade do México, entre os dias 19 a 23 de abril, para que elas pudessem apresentar seus respectivos trabalhos desenvolvidos no Brasil. Nos próximos dias, serão publicados os sete** relatos dessas pessoas, para as informações sobre o Fórum cheguem em mais gente.

Por Karine Góes

E com grande alegria, recebemos a notícia da participação do “EBA Entre Todos” no FMB6. Procura hospedagem, acerta passagem, compra dólar, faz seguro, faz mala, toma vacina e chega o dia da viagem. Vai para SP, espera 4:30 e finalmente embarca no vôo de 9h com destino à Cidade do México. Chega ao aeroporto, pega bagagem, pega metro, chega ao apartamento, deixa mala, pega metrô de novo, vai para o evento e, de repente, o tempo para!

 

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Na suntuosidade da Plaza Santo Domingos, em frente ao local do credenciamento, ao lado do magnífico prédio da Faculdade de Medicina, simplesmente o tempo parou. Pensei: conseguimos! Apresentarei o “EBA Entre Todos” para o mundo e possibilitaremos que pessoas com deficiência de outros lugares também tenham a experiência de pedalar. O coração disparou e eu sorri.

No dia seguinte, pouco mais de uma hora antes do horário marcado para o inicio da atividade, observo que o painel seria no Pátio Principal do Centro Cultural do México Contemporâneo. Logo penso: “tem algum erro”. Euzinha, estreante, na minha primeira participação em Forum Mundial da Bicicleta não poderia falar no local destinado para as conferencias magistrais. Não poderia falar no mesmo local que Gary Fisher (o inventor da mountain bike), Chris Carlsson (o criador da massa crítica), Sylvie Banoun (Coordenadora Interministerial da França para o desenvolvimento do uso de bicicletas), Peter Cox (PhD em Filosofia pela Universidade de Liverpool e pesquisador da Universidade de Chester), Cynthia Echave (Coordenadora da Área de Planejamento Urbano e Espaço Público de Barcelona), entre outras e outros feras!! Com a tranquilidade da certeza do erro, fui ao local procurar os organizadores para saber o local onde verdadeiramente eu falaria. Não havia erro. Era ali! Era naquele local grandioso e especial. Falaria no mesmo palco onde os “papas” confeririam suas palestras magistrais. O painel sobre acessibilidade, do qual participaria, tinha de ocorrer no local onde as grandes estrelas falariam, no local adaptado para cadeirantes e com tradutor de linguagem de sinais. Óbvio!! Fingi que estava tudo sob controle, respirei e enquanto entregava minha apresentação para a equipe de informática pensei: “por que não treinei mais o espanhol?”, “por que não pensei em outro projeto?”, “Por que? Por que? Por que?”. Finalizada a parte técnica, pedi a Enio (membro da articulação do Bike Anjo Nacional) para gravar minha participação e fui chamada para o palco. Enquanto esperava o início das atividades, admirava as instalações e a beleza do local me acalmou. Tudo transcorreu bem: fui compreendida (apesar do portunhol), o debate sobre acessibilidade foi rico, a participação das pessoas com deficiência foi grande e, ao final, o sentimento de dever cumprido encheu meu coração. Consegui representar bem este fantástico projeto que abre um mundo de possibilidades para pessoas com deficiência e, agradecida ao “EBA Entre Todos”, pude apreciar um evento rico, com muitas atividades e aprendizado; puder conhecer pessoas fantásticas; pude pedalar numa linda cidade, que respeita todos os modais e goza de extensa estrutura cicloviária – larga e unidirecional. Obrigada a todos que me possibilitaram esta linda experiência!

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*Ao total, foram selecionadas sete pessoas, mas uma delas não embarcou para o México.
**Mesmo não embarcando, o trabalho desta pessoa foi apresentado por outra e haverá relato sobre.

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